Tenho notado um grande movimento de reestruração da educação no Rio Grande do Sul, mais especificamente no município de Esteio e no magistério estadual. Essa restruturação, no último, atingiu o currículo escolar do ensino médio (e se estenderá para o ensino fundamental), já no primeiro, atingiu de forma mais capilar as práticas a gestão pedagógica das escolas, pautando as práticas a partir de índices de aprovação e de fluxo. Ora, no meu modo de ver, esses fenômenos não são isolados, apresentam um movimento nacional de qualificação da educação muito pautado por acordos e metas internacionais.
Se por um lado, a alta reprovação e a evasão são práticas ruins, pois relacionam-se com investimentos públicos perdidos, por outro, meramente aprovar alunos causa um problema colateral, a saber, o mau investimento de recursos públicos por não preparar esses alunos para o mercado de trabalho e/ou outros níveis superiores de formação. Não compreendi muito bem as intenções efetivas dos gestores públicos que veem na aprovação quase automática um benefício aos alunos e a sociedade. No entanto, concordo sim que a educação deve passar por mudanças. Por exemplo, vejo no Mais Educação uma política educacional que poderia inspirar os governos na alteração das matrizes curriculares, fazendo com que a escola se torne mais agradável, mais afetiva e mais disposta a instigar a curiosidade e a vontade de saber dos alunos. Precisamos tomar o cuidado para não tornamos a escola em um espaço preocupado apenas com a gestão do tempo livre dos alunos, com a ideia de apenas ocupá-los por um determinado tempo do dia.
Pensando nesse imperativo da qualidade da educação que vem tomando forma e corpo, duas coisas precisam ser pensadas, pois fazem parte do discurso que justifica as práticas que transformam as escolas. A primeira, diz respeito a uma rede de discursos que demonizam as práticas dos professores, que os desqualifica para qualificar, isto é, o problema dos professores é a "desatualização" e a falta de formação. Eles precisam se adaptar ao novo mundo, eles precisam se adaptar aos jovens. As práticas pedagógicas precisam ser mais flexíveis, precisam mudar de acordo com a ocasião e, consequentemente, os professores devem estar dispostos ao novo - pouca coisa permanece a mesma por muito tempo.
Por fim, em segundo lugar, precisamos pensar nas práticas pedagógicas que devem ser pautadas pela realidade do aluno, o que não deixa de ser um processo de "conscientização", no qual ele, a partir de uma gama de conteúdos, aprende a ser aquilo que ele realmente é, tendo em vista que aprende a lidar com problemas que dizem respeito ao seu dia a dia. Desse modo, o espaço público se torna cada mais privado, vislumbrando certa libertação pessoal, resquícios de uma educação que vê no aluno, de forma tosca, um possível oprimido - a legítima educação formatadora.



Em uma aula de filosofia ouvi um professor dizer que não concordava com a noção de poder de Michel Foucault, pois, ao universalizar o poder, o filósofo francês estaria desqualificando a sua própria definição: “Ora, se tudo é poder, então não há poder”. Outro professor, falou em uma palestra para um grupo grande de alunos que o problema do pensamento de Foucault é politizar todas as relações sociais, tendo em vista que, para o filósofo, tudo é relação de poder. Temos assim, duas críticas ao pensamento do filósofo francês que, a meu ver, repousam num mal entendimento da noção de poder em Foucault.